Melbourne, na Austrália, é o palco do arranque oficial da época 2026 de Fórmula 1, já no fim de semana de 6, 7 e 8 de março. Com Lando Norris a usar o número 1, depois do título conquistado na última corrida da época 2025, esta nova temporada arranca com praticamente tudo novo. Novos regulamentos, novos carros, novas ideias, novos pilotos, novos motores, um novo circuito e até 2 novas equipas, uma delas que até aumentou a grelha de 20 para 22 monolugares.
Com 24 corridas pela frente, a começar a 8 de março na Austrália, e a terminar a 6 de dezembro, em Abu Dhabi, o calendário de 2026 marca a estreia de um novo circuito, em Madrid, com Grande Prémio marcado para 13 de setembro, com a segunda corrida espanhola a ocupar o lugar do circuito de Imola, Itália.
Mas o circuito de Madrid – ainda em obras – é apenas uma das novidades para esta época. Na verdade, são muitas, a começar pelos novos regulamentos e pelos novos carros. O regulamento para esta temporada trouxe uma das maiores revoluções dos últimos anos à Fórmula 1. Os carros são mais pequenos – a distância entre eixos será reduzida em 200mm (passando para 3400mm) e a largura em 100mm (para 1900mm)- , mas também 30 kgs mais leves, com um máximo de 768 quilos de peso, o que os torna, em teoria, mais ágeis em pista. Em termos de aerodinamica, termina o efeito de solo que foi imagem de marca dos carros nos últimos 4 anos, mas termina também uma das características que marcou as corridas nos últimos anos, o DRS. O Drag Reduction System, que permitia ao carro que preparava uma ultrapassagem um acréscimo de velocidade em determinadas zonas do circuito, quando estava a menos de 1 segundo do carro da frente, foi substituído pela aerodinâmica ativa, que permite a todos os carros alterar o perfil das asas dianteiras e traseiras, independentemente se estão em modo de ataque ou de defesa da posição. A nível de motor também há alterações, com as Unidades de Potência a passarem a contar com 50% de combustão de 50% de modo eléctrico, o que vai obrigar os pilotos a uma grande gestão da bateria eléctrica, o que já originou algumas críticas após os primeiros testes no Bahrain.
Quanto a expectativas, com tantas novidades em jogo, torna-se difícil saber o que esperar. Entre os pilotos, há apenas 1 cara nova no leque de pilotos, mas há dois regressos ao circo, depois de um ano fora da grelha. Oito das 10 equipas de 2025 não mexeram da dupla de pilotos e as únicas mudanças ocorreram apenas no reino do touro encarnado. A Mercedes, em teoria, era a equipa que estava mais adiantada no desenvolvimento do carro de 2026, logo seguida da Ferrari e Aston Martin. A Red Bull e McLaren, que estiveram envolvidas na luta pelo título de 2025 até ao final, poderão, em teoria, ter atrasado album dos desenvolvimentos necessários. Os favoritos não devem fugir muito ao leque habitual de Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes. Mas será que não há espaço surpresas? O que farão a Audi ou a Cadillac, as novas equipas da grelha? Só o tempo o dirá.
O campeão do mundo, Lando Norris, já terá descido à Terra depois do triunfo conquistado no final de 2025 e que lhe valeu a entrada para a galeria dos 35 Campeões Mundiais de F1. O britânico, que vai correr esta época com o número 1, quererá provar que o título não foi fruto do acaso e apenas por ter nas mãos o melhor carro do pelotão, até porque um dos grandes rivais durante a temporada foi precisamente o companheiro de equipa, Oscar Piastri, que liderou o campeonato durante grande parte da época e – pode até dizer-se sem grandes alaridos – que deixou o título escapar pelas mãos depois de ter chegado a ter uma vantagem de 34 pontos sobre o companheiro de equipa. As tão mediáticas “papaya rules” aplicaram-se durante toda a época, com a McLaren – Mercedes a não dar preferência a nenhum piloto durante a época, o que ia custando caro no final. Para esta época a McLaren parte como uma das favoritas. Bicampeã mundial de construtores, tem o melhor carro desde meio de 2024 e não se espera que deixe de o ser num espaço tão curto.

Depois de cinco anos afastada dos títulos, a Mercedes começa a época como grande favorita ao título. Tudo indica que este carro é o que está numa fase mais adiantada na adaptação ao novo regulamento e também o motor mostrou bons resultados nos testes, apesar de haver algumas dúvidas sobre a legalidade da unidade motriz. George Russell surge, nas Odds da Betano, como o principal favorito ao título, o que o tornaria no 12º britânico a alcançar tal feito. O inglês tem mostrado ser um piloto sólido e de confiança, mas a verdade é que nunca teve um carro capaz de lutar pelo Mundial e, consequentemente, nunca foi colocado na situação de ter lugar pelo título. Quanto a Kimi Antonelli, o jovem italiano atravessou, com distinção, o ano de rookie e terá agora mais exigência pela frente. Será que consegue aproveitar as melhorias da Mercedes para se estrear no lugar mais alto do pódio?

A Red Bull é uma das duas equipas que mexeu na dupla de pilotos de 2025 para 2026. Max Verstappen, holandês tetracampeão mundial mantém-se como o cabeça de cartaz, ao qual se junta agora o françês Isack Hadjar, promovido da Racing Bulls, a equipa de entrada do universo do touro encarnado. Max parte, como é natural, como um dos favoritos ao títulos, mas tudo vai depender do carro que tiver em mãos. O tetracampeão mundial, e vice-campeão em 2025, quer recuperar o título, mas poderá ter uma concorrência alargada, com várias equipas a partirem com muita ambição para a nova época. Quanto a Hadjar terá como primeiro desafio superar o complexo de ser parceiro de Verstappen. Em 2025 o parceiro que iniciou a época na Red Bull, Liam Lawson, durou apenas duas corridas e Tsunoda, que o substitui, é agora piloto de testes… Além dos pilotos, a Red Bull mexeu também na unidade de potência, passando agora ser fornecida, ao nível de motores, pela Ford. Um regresso ao grande circo da marca-americana após 20 anos de ausência que, afinal de contas, é o terceiro construtor de motores com mais vitórias (174) na história da F1, só suplantada pela Ferrari e pela Mercedes.

Nova época e nova esperança para os tiffosi. Com uma das melhores duplas de pilotos, um novo carro e bons resultados nos testes de Barcelona e Bahrain, os italianos já esfregam as mãos com a esperança que seja desta que o título volta para Itália. Charles Leclerc, recém-casado e piloto “nascido” na casa terá, se o carro corresponder, uma grande oportunidade para alcançar esse feito, mas a seu lado poderá ter o seu maior rival. Lewis Hamilton tem como grande objetivo o 8º título mundial e, depois de uma primeira época desastrosa ao serviço da Ferrari, renascem as esperanças de que algo positivo possa acontecer em 2026.

A Williams, com motores Mercedes, não viveu uma fase de testes de pré-temporada muito feliz. O novo carro apresentou alguns problemas ao nível do peso e da homologação por parte da FIA, o que os obrigou, inclusivé, a falhar a primeira ronda de testes, em Barcelona. Há a dúvida sobre até que ponto apresentarão uma performance já na Austrália ao nível daquilo que fizeram na época 2025 e que os colocou no 5º lugar do Mundial de Construtores. Ao nível de pilotos, pouco há a dizer sobre a experiência de Alex Albon e Carlos Sainz. Ambos sabem da poda como poucos e esperam, pelo menos, repetir as boas prestações da última temporada.

A equipa secundária do universo Red Bull, e também a usar os novos motores da Ford, continua a ter como missão primordial ajudar a desenvolver os carros da equipa principal. Ainda assim, as prestações nas últimas épocas têm sido positivas e os testes de pré-época foram prometedores. Liam Lawson, depois de ter sido despromovido em 2025, inicia esta temporada como “chefe de fila” na Racing Bulls, mas o neo-zelandês tempo pouca experiência a mais que o rookie Arvid Lindblad. O britânico de 18 anos, residente em Portugal, estreia-se na F1 com a esperança de que seja para… ficar.

A Aston Martin, agora com motores Honda, tem sido a equipa promessa dos últimos anos. Alvo de investimento enorme do proprietário Lawrence Stroll, que incluiu a construção de novas instalações, de um túnel de vento de última geração, contratação dos maiores talentos, como Adrian Newey, o engenheiro que desenhou alguns dos carros de maior sucesso da história da F1, parece ter resultado, em 2026, numa mão cheia de nada. O novo Aston Martin apresentou-se, no Bahrain, com problemas de fiabilidade e até competitivos, parecendo estar a 4 segundos do carro mais lento e há, até a “ameaça”, de se apresentarem na Austrália para cumprirem apenas algumas voltas. Este cenário em nada agradará a Fernando Alonso, veterano espanhol de 44 anos, que ainda tinha uma réstia de esperança que todo o investimento resultasse numa hipótese em lutar por corridas esta temporada. Lance Stroll, filho do proprietário, estará menos procupado, mas ainda não quererá fazer figura de corpo presente…

A Haas- Ferrari continua ainda à procura do seu lugar na Fórmula 1. A equipa norte-americana, que vai para a 10ª época no circo, tem sido uma montanha russa e nunca se sabe onde estará exactamente na época presente. Com o experiente, mas inconstante, Esteban Ocon, e a promessa Oliver Bearman ao volante, esperam subir o nível face às últimas temporadas e, quem sabe, alcançar o primeiro pódio da história da Haas.

2026 marca a estreia oficial da Audi no mundo da F1. A marca alemã ocupa o espaço da Sauber que deixa a Fórmula 1 após 33 anos de presença constante, ainda que representada por várias marcas. A Audi, com historial de vitórias em várias vertentes do desporto automóvel, não esperará lutar pelo título de forma imediata, mas quererá começar a construir bases para o futuro e para isso conta com 2 pilotos nos extremos da carreira. Niko Hulkenberg, alemão de 38 anos e com mais de 250 Grandes Prémios corridos, tem a experiência necessária para ajudar a equipa desenvolver. No outro carro está Gabriel Bortoletto, brasileiro de 21 anos e que vai para a segunda época na F1, mas que tem na bagagem dois títulos consecutivos na Fórmula 3 e Fórmula 2. É ele a grande aposta para o futuro da Audi.

A pior equipa de 2025 parece ter renascido renovada para 2026. A Alpine Mercedes apresentou-se em bom nível nos testes e até com algumas inovações tecnológicas que fizeram as equipas rivais ficar atentas. Pierre Gasly, francês de 30 anos, é o piloto experiente da equipa e aquele que parece ser a constante confiável da equipa francesa. O argentino Franco Collapinto é uma das grandes esperança entre os leques de jovens pilotos, mas para isso terá de o mostrar nesta sua segunda época na Alpine. Sob risco de poder ser a última…

Em época de novidades, a entrada da Caddillac-Ferrari é uma das maiores. A estreia da marca norte-americana marca também a subida de 20 para 22 carros na grelha, numa alteração de uma situação que se mantinha desde 2017. E a entrada da Caddillac marca também o regresso à Fórmula 1 de dois pilotos bastante experientes e que, em conjunto, têm mais 520 corridas e 15 vitórias: o finlandês Valtteri Bottas e o mexicano Sérgio Perez. Resta saber o que todas estas novidades trarão às pistas do circo da F1.

6 – 8 de mar – GP da Austrália
13 – 15 de mar – GP da China
27 – 29 de mar – GP do Japão
10 – 12 de abr – GP do Bahrain
17 – 19 de abr – GP da Arábia Saudita
1 – 3 de mai – GP de Miami
22 – 24 de mai – GP do Canadá
5 – 7 de jun – GP do Mónaco
12 – 14 de jun – GP de Barcelona
26 – 28 de jun – GP da Áustria
3 – 5 de jul – GP de Silverstone
17 – 19 de jul -GP da Bélgica – Spa-Francorchamps
24 – 26 de jul – GP da Hungria
21 – 23 de ago – GP dos Países Baixos
4 – 6 de set – GP de Itália – Monza
11 – 13 de set – GP de Madrid
24 – 26 de set – GP de Baku – Azerbaijão
9 – 11 de out – GP de Singapura
23 – 25 de out – GP dos Estados Unidos – Circuito das Americas
30 out – 1 nov – GP do México
6 – 8 de nov – GP do Brasil – São Paulo
20 – 22 de nov – GP de Las Vegas
27 – 29 de nov – GP do Catar
4 – 6 de dez – GP de Abu Dhabi